domingo, 22 de fevereiro de 2009

Num mundo de técnicas, a dor expressa-se em vários sons. A minha solidão tornou-me muito sensível ao vibrar de um telemóvel, por exemplo. Vezes há em que sinto que sinto uma vibração. Mentiras de um cerebro cansado de tanto querer. E então corro, busco um dos dois e logo vejo que estou só. 

Quem espero? Espero-te a ti. Só a ti e a tanta gente mais. 

Hoje, recolho-me nestas palavras. Nesta vida em que tudo surpreende, este pode bem ter sido um dos piores momentos da minha vida. O desespero assombrou-me como nunca. Pensei na morte, mas receei que  o azar se risse de mim e me pregasse partida ainda maior e me deixasse paralítico ou coisa do género, em lugar de me calar a vida. 
Virá o dia, em que estas palavras serão tão vãs que nem me lembrarei deste momento ou que me arrependerei de ter pensado atentar contra a vida.

O desespero veio porque fui rejeitado. Dói sempre, mas deixa-me ter a sensação que desta vez foi especial. E foi-o porque mal nos conhecíamos. Disse-me que eu era muito intenso, que não queria algo assim. Enfim, tantas voltas se dá para dizer que não gostamos de alguém. 
Sou intenso, porque o sou e porque estou só e mais uma vez vi em ti a fonte de uma tranquilidade que não posso ter.
Ninguém se vê com bons olhos depois de ter sido rejeitado, mas isto veio como a faca que me cortou o último ar. Desde há dois meses, que me encontro numa tristeza destrutiva. Falta de entusiasmo com a minha vida. Enfim, natural ver o salvador na nossa vida em quem nos dá o primeiro sorriso. 
Também natural, o sobrecarregarmos e, assim, o ciclo é sempre vicioso. 

Enfim, que me enterrem onde queiram. Não mais single and fabulous, just single. 

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