Aprendemos que o amor magoa.
Aprendemos que o amor faz vítimas e que há culpados.
Sim, talvez se abra agora o livro e se diga, não há não culpados, ou são os dois culpados. Que seja! Se é para falarmos correctamente e com todo o discernimento, paremos aqui.
Sim, aprendemos que há culpados. Ele que deixa ela por outra ela. Ela que deixe ele por outro ele. Ele que batia nela. Ela que nunca gostou dele.
Assim, o mundo foi construído e, mesmo que hoje todos nos queiramos mais eruditos, não podemos nós, os da minha geração e anteriores, fugir simplesmente a isto.
Também aqui haverá regras. O primeiro a sentir não corresponder a um amor, e a verbalizá-lo pode bem ser o culpado. Pode ver até definhar a pessoa que já amou e, mesmo que isso o dilacere, não deixa de ser culpado.
Por que se acaba um amor só porque não o correspondemos? Há que libertar o amor. Há que libertar o outro para que, mesmo que só após tanto sofrimento, encontre finalmente alguém que lhe corresponda ao amor, em peso e medida. Mas, se este princípio até pode ser altruista, como pode ele justificar tanto sofrimento?
Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho
(Vinicius de Moraes)
Também eu fiz sofrer, também eu sofri, também eu ainda hoje sofro por saber como te amei e no que te tornaste quando te deixei de amar, mas que posso fazer...
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
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1 comentário:
Ai, sina humana
que sina desumana
a de amar
nos leva perdidos
e quase sempre
à deriva
em alto mar
Um carinho.
Continuemos...
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