sexta-feira, 21 de novembro de 2008


1. Já me conheces e sabes que este será apenas um momento de dramatismo e que não terá grandes repercussões na nossa relação.

2. Compreendo o teu sofrimento em relação ao mundo e em particular em relação a mim. Ainda que tenha leituras e interpretações muito próprias sobre tudo o que se passou entre nós, aceito a forma como tu lês as coisas e como te comportaste nestes últimos tempos. Por vezes, é necessário que vejamos a realidade com os nossos olhos apenas, e que criemos os nossos modelos explicatórios, ainda que afastados da realidade, para o processo de cura. Compreendo tudo. Se me conheces, sabes que é grande a minha capacidade de compreensão. Mas, se me conheces também, já deverias saber que a minha capacidade de aceitação não é a melhor, pelo menos sem antes dar uns bons gritos sobre o assunto.

3. Eis o grito: Acho que o teu comportamento comigo tem sido muito impróprio de um amigo.

4. Eis o pós grito: Mantém a tua defesa, a tua protecção do teu ego, até estares curado, mas (ainda o grito) estás muito longe de ser meu amigo neste últimos tempos.
Já sabes que podes contar sempre comigo. Dei-te inúmeras provas disso ao longo de todo o tempo que nos conhecemos. Com o tempo e com o acumular de outras experiências na tua vida, vais-te aperceber talvez de que foram bem maiores do que agora te parecem. Fica então consciente disso: a qualquer hora, conta sempre comigo, para te ouvir, para o que precisares. Mas (e porque se me conheces, já o sabes) não tenho perfil para mendigar pelos teus telefonemas, mensagens ou o que seja; ou esperá-los ao sabor da tua disposição.

KODAK: para mais tarde recordar...

De que lado estás?

Há lados. Há barreiras. Há gavetas.
Todos precisamos delas. Ajudam a diminuir o caos e agir perante um mundo.
Também eu tenho tantas.

Mas quão confortável é ser-se enfiado dentro de uma gaveta? Quão confortável é para ti que as pessoas simplesmente te coloquem sob aquele rótulo, de modo a que não restem dúvidas de que tu, para elas, és o que és.

1.
Sou bissexual. Durante anos, esforcei-me por recusar a minha atracção pelo mesmo sexo. Depois, vivi-o e hoje sinto-me confortável com os dois sexos. Mas a homossexualidade é uma gaveta muito especial. É como se fosse uma doença. Mesmo que um homem seja bissexual, ele estará sempre na gaveta dos homossexuais e ponto final, e isso provavelmente o condenará a ser procurado e, não necessariamente consequentemente, a procurar outros homens.
Um heterossexual que tenha uma experiência homossexual é considerado homossexual, tal como se se tratasse de uma doença contagiosa. Interessante que um homossexual que tenha uma experiência heterossexual, não deixe de ser homossexual. Interessante realmente este novo pensar.

2.
Puta ou Freira? Culpado ou inocente?
A meu respeito: Bloqueio-o. Deixa-lhe de falar. O que ele quer é ter-te ao lado dele quando precisa e, quando precisares, ele não estará ao teu lado. Depois ou antes, ele terá dito qualquer coisa, é sempre ele que me liga, nunca lhe ligo. Noutro dia, veio contar sobre um arrufo com o namorado (ou a puta que arranjou) e eu disse-lhe que tinha de me ir embora.
Eu faria uma leitura completamente diferente de tudo o que se passou e se passa, mas alguém leu as coisas assim. Claro que em alturas de sofrimento e de recuperar de um desgosto de amor, admito que se possa afastar da realidade e até seja útil esse tipo de mecanismos.

Aceito-o, mas é interessante pensar que a nossa posição neste mundo depende muito dos olhos de quem nos vê e, num mundo destes até a maior puta pode ser freira e até a santa da freira pode ser julgada como puta. Para que conste, não me importo ser a puta.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O amor existe apenas na perfeição?


Cresci como todos com a ideia de, quando me apaixonasse, ouvir sinos tocando ou, pelo menos, ouvir a minha própria voz dizendo que finalmente encontrei o amor da minha vida. Tudo isso se resumiria numa das frases sábias de um ancião: quando acontecer, tu o saberás.
Mas, por quanto tempo? Quanto tempo dura essa sensação? E é constante? Se assim for, devo dizer que amei por muito pouco tempo, ainda que muitas vezes.
E ainda que amemos, tem de ser perfeito? Ela/ Ele advinharão todos os meus pensamentos? Dirão as frases que há muito tenho escritas. Ou, poderão refugiar-se sempre na sua personalidade e individualidade?
Se não te posso mudar, então não me peças para amar-te.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Voltar para casa.

Se queres voltar para casa, então considera tudo acabado entre nós.
Tens a certeza do que estás a fazer?
Tomtom: home.
Quero que saibas que te peço desculpa se te ofendi. Não és um tonto. Telefona-me quando fores um fotográfo famoso.

Desespero.
Terminar o que desde cedo é um erro, mas por que me faz sentir tão mal?

Não quero terminar, só queria ir para a tua casa e não para a minha.

Quero-te muito, mas não estou disposto a pedir a alguém que me ame. Preciso de espaço, mesmo quando for louco, estiver aos berros porque não sei o caminho para a merda de um local, que queria ver pela primeira vez contigo.

Quero-te, por isso a mensagem.

E assim se adianta o coração numa razão que não é sem ele.

domingo, 16 de novembro de 2008


On the day you gave up on me...

The sun went away, and the dark became the color of my dreams.

The emptiness, so far waiting at the door, came in, as the real owner of my soul.

My harsh voice forgot why it was angry and became too soft to be heard

I bursted into tears, and I felt as I was myself again.

(Te quiero mucho, y cambiar eso va a demorar mucho.)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Amigos para sempre!

Hoje e ontem também andei a fustigar-me um pouco. Que fiz eu? Fui visitar os meu 'amigos' do hi5. Para quem não conhece, é algo semelhante a facebook ou myspace. Enfim, faça-se um google e logo se vê.

Há qualquer coisa na alegria dos outros que me dá um nojo terrível.
Sim, perdoem-me a palavra nojo, mas é apropriada. Fico enojado com aquelas fotografias, que parecem saltar no meio da multidão, afastando todos em encontrões para subir ao palco e gritar: sou feliz. Tenho amigos para sempre ( e provas múltiplas dessa amizade!). Tenho namorado que me ama muito ( e mais uma vez provas múltiplas) e uma família que me adora! Sim, sou feliz!

Devia haver leis que limitassem esta gente feliz. Muito bem, são felizes então que vão para a ilhinha deles.
Depois, há as amizades para sempre. Por amor de Deus, amizade é um ser vivo e, como tal, morre. Hei-de de fazer um discurso sobre isto.
Pronto, que posso fazer é algo visceral que me agonia talvez por perceber o quão longe estou desse caminho. Para sempre, de qualquer modo, seria muito tempo...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Tranquilidade = Amor?

Tranquilo. Assim me sinto quando te tenho na minha vida. Como se até agora coxeasse apenas, vejo-te com o retorno de um equilíbrio. Um perto de um zero, que apenas anula a negatividade e me permite existir de um modo humano.

Admito. Preciso sempre de alguém na minha vida. Não, não sou dessas pessoas que dizem que existem felizes em si próprias. Ser feliz por si próprio nem faz qualquer sentido para mim.
Necessito de ti, ou de quem seja. Não me sinto gente se não te tiver a meu lado.

Ainda ouço tantos fantasmas, mas ouço-os com ouvidos de gente e não com o desepero de quem está perdido.
Ainda ouço o vazio, mas não me invade ou me gela como sempre.

Será isto o (meu) amor?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

E o amor...

Aprendemos que o amor magoa.
Aprendemos que o amor faz vítimas e que há culpados.

Sim, talvez se abra agora o livro e se diga, não há não culpados, ou são os dois culpados. Que seja! Se é para falarmos correctamente e com todo o discernimento, paremos aqui.

Sim, aprendemos que há culpados. Ele que deixa ela por outra ela. Ela que deixe ele por outro ele. Ele que batia nela. Ela que nunca gostou dele.
Assim, o mundo foi construído e, mesmo que hoje todos nos queiramos mais eruditos, não podemos nós, os da minha geração e anteriores, fugir simplesmente a isto.
Também aqui haverá regras. O primeiro a sentir não corresponder a um amor, e a verbalizá-lo pode bem ser o culpado. Pode ver até definhar a pessoa que já amou e, mesmo que isso o dilacere, não deixa de ser culpado.

Por que se acaba um amor só porque não o correspondemos? Há que libertar o amor. Há que libertar o outro para que, mesmo que só após tanto sofrimento, encontre finalmente alguém que lhe corresponda ao amor, em peso e medida. Mas, se este princípio até pode ser altruista, como pode ele justificar tanto sofrimento?

Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho
(Vinicius de Moraes)

Também eu fiz sofrer, também eu sofri, também eu ainda hoje sofro por saber como te amei e no que te tornaste quando te deixei de amar, mas que posso fazer...

sábado, 8 de novembro de 2008

Agora é oficial: casei com o padeiro!


Meu anjo, é altura de reconhecer que casei com o padeiro. Sim, um pobre de espírito e sobretudo de carteira, que trabalha em horários diferentes dos meus, de modo que o vejo no máximo aos fins de semana e se ele tiver dinheiro para a gasolina!

Bem, espero que isto seja uma lição que Deus me está a dar para que me torne mais humilde e alargue os meus horizontes! Mas, por amor de Deus, dai-me forças!

Agora partiu o telemóvel e não tem dinheiro para comprar outro, tem de esperar que chegue um mais barato à loja. Entretanto, falamos apenas à noite no messenger e se a família dele não estiver, porque o computador está na sala.
Ai, meu Deus, dai-me forças, será que eu não nasci para isto?

Há as minhas rugas e depois há as de todos os outros.




As minhas pesam-me. Ai! Como me pesam. Descobri a minha primeira ruga digna desse nome faz poucos dias. Uma daquelas que não desaparece com o desfazer da expressão. Sei-o. Um dia, botox (Sim, deixarei o charme das rugas para os outros!); pois então, mas é bem mais do que isso.
A vida passa e deixa marcas, tão fortes como rugas. Coisas que nos prendem a um mundo de relógios e de calendários, aos quais não podemos ser indiferentes. Não posso simplesmente vaguear por este mundo. Há o espaço, mas há também o tempo, que passa e que deixa de o ser, mesmo contra a nossa vontade.

Depois há as rugas dos outros. Essas pesam-me tanto, talvez mais do que as minhas. Pesa-me suportar que os outros de quem gosto envelhecem e não os vejo. Custa antecipar os seu envelhecimento e a sua morte.

Enfim, como tantas outras coisas, temos de aceitar e ponto. Recuso-me, contudo, a aceitar sem uma luta, ainda que inútil. Patético, este desperdício de energia, talvez.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Não é coisa para mim.

Queria ter a coragem,
o discernimento,
a presença de espírito,
a clarividência para te dizer:
Não voltes mais a minha vida e ponto final.
Talvez melhor, queria simplesmente eliminar-te da minha vida, hoje e agora.

Por quê?
Porque sim.
Porque me quero sentir amado.
Porque preciso de amar.

Poderia fazê-lo, mas voltaria atrás. Em vez disso, deixei-te três emails, uma mensagem e um telefonema. Bem o oposto.

EU SOU ASSIM!

Uns terão isso tudo, eu, que de migalhas me alimento, não o posso fazer. Prometi a mim mesmo que, quando voltasse a ter alguém na minha vida, o iria tratar a pão de ló.
Prometi, mas quero MAIS! Quero alguém que me trate a pão de ló e não que, ao primeiro arrufo, me desligue os telefones e me deixe a falar só.
E, se o aguento, é porque sei como o quero e porque tento calar as exigências do ego, tentando compreendê-lo.

Mas como gostaria de ser diferente. Ficará também isso, como tantos outros sonhos para outra vida, ou pelo menos, para outras pessoas.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Yes, love at first sight does exist. But, does it really work?

A história e os sonhos ensinaram-nos que os olhos podem amar à primeira vista, mas será que esse amor resulta?


Fiquei frustrado ao perceber que o amor à primeira vista não foge ao processo comum de conhecer outra pessoa. Por momentos, embalado num conto infantil que me falava de príncipes e donzelas que se enamoram e são felizes para sempre numa só página, acreditei que te conhecia todo e que te amava. Talvez não te amasse porque temo como todos os uso dessa palavra, mas estava apaixonado o suficiente para acreditar em ti. Acreditar em nós, a um ponto que, quando estávamos prestes a ter a primeira discórdia, caí! Caí como se cai das nuvens quando se percebe da realidade que nos rodeia.

Amor à primeira vista não nos afasta do processo de conhecer e ser conhecido; de ver as nossas características esmiuçadas e analisadas a um ponto já não estávamos habituados. Mas, assim é.

Assim é, ainda que nos últimos anos, tenha tido a sorte de conhecer os que me amam por inteiro, tenho de uma vez mais, e talvez muito mais exigentemente do que habitual, devido à distância que nos separa, voltar a este processo! Tudo pelo amor!

domingo, 2 de novembro de 2008

Quem me prende?

Acho que és tu. Bem, deixa-me dizer que estou certo de que és tu. Poderia dizê-lo, mas depois lembro-me daqueles momentos em que começas a ameaçar fazer uso das asas, e ficou quieto neste meu sentir.

Deve ser natural! Sempre gostei desta expressão: é natural. Automaticamente, sinto-me aliviado, por não carregar nos ombros o peso de estar em caminhos tortuosos e paralelos.
Deve ser natural que ainda não te sinta totalmente como meu.
Deve ser natural que, a cada ponto em que discordamos, trema de medo por desconfiar que não fomos feitos um para outro.

Tudo passa. Desta não gosto tanto, mesmo que se refira a uma acontecimento desagradável. É muito pouco útil, pelo menos antes de ter passado. Depois de ter passado, é obvio que tudo passa e tudo parece coisa tão pequena, mas, na altura, tudo é gigante e parece eterno.
Sim, também há-de passar esta minha estranheza.