quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Naquela Praça


Foi naquela praça que aprendi a amar, nessa mesma onde ouves o pregão da sardinheira.
Ai, como achei graça aos meus olhos e aos teus...
Como me ri, quando soube que te tinha...

Foi naquela praça que aprendi que um corpo pode vencer o outro.
Que se pode usar o azul de uns olhos para se ter.
Aprendi a prender-me e a dar-me também
Aprendi a querer-te e a depender do teu chão para viver.

E então caí! Naquela praça e não noutra qualquer

É tão fácil cair quando estamos convencidos de que sabemos tudo, e é tão grande a queda.
Sabes, hoje ainda caio.
Não é coisa que deixes de fazer, mesmo quando as rugas já te deviam ensinar cautela.
As rugas dão-te outras coisas.
Dão-te um levantar imediato, impensado, reflexo: levantas-te e já nem sabes por quê.
E quando menos esperas, já estás na luta outra vez, como um destino inexorável de quem nasceu para isto.

Irónico, talvez, mas foi naquela praça e não noutra qualquer!

Fotografia: Chema Madoz

1 comentário:

Anónimo disse...

Passo atrás?
Se cais é porque não precisas de muletas... se entrega... por completos... sem ontem, nem amanhã
Vive-se como deve ser... livre dentro de si mesma...

Obrigada pela visita!
Beijos!