
Diz que quer um homem mais velho, velho o suficiente para o amar incondicionalmente, o suficiente para lhe dar aquele conforto de que o ama a ele e a mais ninguém. Falou-me de 45 anos, como limite.
De preferência, que lhe pague as contas, que por aqueles dias vão se acumulando.
Ah! Que não queira sexo. Chegou-me a dizer que tem aversão a pêlos púbicos brancos. Ainda me ri, suponho que aos 45 anos isso não deve ser ainda um problema.
Que tenha um corpo razoável, para desgraças tem o espelho.
Por último pediu-me que acendesse uma vela ao meu santo, para que tal acontecesse.
Perguntei-lhe pelo outro. Diz que o outro perdeu o encanto. Perdeu o encanto? Sim, perdeu o encanto no momento em que percebi que nunca me iria amar do jeito que quero.
Tentei obter mais sumo, mas aquela laranja secou, repetiu o mesmo: precisava de um homem mais velho, que lhe pagasse as contas. Quando repetiu o pormenor da cor dos pêlos, foi a gargalhada geral naquele café. Ele era assim, na alegria ou na tristeza, uma diva!
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