sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Estava a entrar naquele café, feita boa, XL-bag, óculos de sol retirados mesmo à porta, para os pobres aperceberem que tinha chegado alguém merecedor de olhares. Meu Anjo, aquilo era gente pobre e pobre. Sentei-me num canto, para ver a aragem. Nisto, está um rapaz tão bonito a olhar para mim, e, de repente, dirige-se a mim:
Bons olhos te vejam.
Eu, de puta, e a ti: há quanto tempo não te via. Se calhar desde toda a minha vida, porque não me lembrava mesmo.
Nisto, olha fixamente:
Tu lembras-te de mim? Já te vi quatro vezes. E descreveu-mas. Sempre disse que aquele supermercado era melhor que um bar. Mas duvido que te lembres de mim. Não és desse género.
Aí, fiquei ofendida! Desse género, que género?
Desculpa, má expressão. Deve-o ter dito em imediata resposta aos meus olhos zangados. Quero dizer que deves ser admirado a toda a hora e não te lembrarias de uma pessoa como eu.
Eu? Aí, tive de manter o ar de boa! Se tivessemos falado com certeza que me lembrava de ti. Era um pão, como não me lembraria, ainda por cima com a fome com que ando!
Apresentamo-nos, sentou-se e falou de mais. O peixe morre sempre pela boca.

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