Apercebi-me de que também chora, e, como chora. Neste processo de aproximação, vi-lhe tantas vezes aqueles olhos húmidos. Um dia perguntei-lhe: Por que choras? Às vezes, olho para ti e era capaz de jurar que estiveste a chorar.
Tentou rebater-se apenas pelo tempo suficiente que uma pessoa com as exigências sociais dele, o faz. Depois, contou-me muito, claro que não tudo. O que não terás tu para contar?
Falou-me de desencontro com amores. Hoje, ainda falava do mesmo de outro dia. E assim continuaria até esquecê-lo. Esteve a falar com ele num messenger, perdeu tempo? Perdeu, mas perderia muito mais. Assim, era o modo de ele agir. Depois, o outro disse que ia tomar banho e se ia deitar, mentira fácil, mas que doeu tanto e desplotou mais uma processo de auto flagelação.
Recriminava-se pelas piadas estúpidas que fez sobre o excesso de experiência do outro. Recriminava-se por tudo. Numa dor extenuante, mesmo para quem não estava a sofrer directamente.
Será que alguém tem a percepção de como se pode sofrer tanto? E se tiver? Há algo que se possa fazer? Ou se ama, ou não se ama. Ou se tem disponibilidade para amar ou não. Nada se pode improvisar neste campo, se o queremos sincero. Resta-me sofrer.
E como o fazia! Esperava por um tempo, por forças para suportar a solidão resignadamente.
domingo, 28 de setembro de 2008
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